Era uma sexta-feira quando Mário José ouviu gritos na casa ao lado. Sem exitar ligou para a polícia, que em menos de cinco minutos chegou ao local. Mais gritos e os policiais se sentiram obrigados a pular o portão de ferro e entrar na casa. Nos fundos, de armas em punho, os policiais se depararam com uma velhinha de um metro e sessenta gritando e golpeando o ar com uma vassoura.
Maria de Lurdes vive sozinha em uma casa apertada a mais de cinqüenta anos. Cultiva uma horta de couve-flor e trabalha como faxineira. Não tem família e nem assiste televisão. O pai de Maria de Lurdes roubava dinheiro da filha para comprar cachaça. Roubava antes de morrer de cirrose.
“Maria de Lurdes, deve sofrer de algum problema na cabeça”, arrisca um vizinho. “Ela é totalmente doida” diz outro. O fato é que Maria vê o pai falecido. Ela xinga, bate, manda embora e joga água benta, mas para Maria, o pai sempre volta pegar seu dinheirinho. A polícia já conhece Maria, que é totalmente inofensiva.
“Ela gosta de morar ali, e vive bem, apesar de tudo. Não podemos levá-la á um hospital, seria crueldade”, diz Fernanda, vizinha da frente. Ela é muito dedicada no trabalho e sempre distribui couve-flor para os vizinhos. Engana-se quem pensa que a senhora só quer atenção. Pelo contrário, ela dispensa papo.
Ao lado da casinha de Maria, em uma casa de dois andares mora a irmã, Deise. Ela tem vergonha da irmã Maria, com a qual sempre foi brigada. Deise vive do aluguel de metade da sua casa na temporada. Existe um abismo financeiro entre as duas irmãs, e mais ainda um abismo afetivo. Elas não se falam a quase cinqüenta anos, e há quem diga que Deise também grita com o pai, porém escondido.
Seu Déde, o vizinho mais antigo da rua, conta que Maria de Lurdes não é bem humorada. Chega a jogar água com uma mangueira nos pedreiros que subiam o muro entre as duas casas. Seu Déde sempre retribui o banho frio. Quem sabe eles brincavam assim quando tudo ali era fazenda e o pai de Maria e Deise era um bêbado vivo.
isto é um trabalho para a professora Vera Sommer.
bjo verinha!
hahaha!!
sem comentários ,muito bom ! beijos
Muito bom!
Parabéns!
A Dona Maria existe?
Beijão
existe sim ela é minha vizinha.
=)